A sabedoria e o jovem

dezembro 7, 2009 at 5:11 pm (Pensamentos)

Últimamente tenho parado para observar os jovens ao meu redor. Pareço muitas vezes até um velho observando os mais novos, e as vezes até penso que o sou.

Me pego muitas vezes observando algo na vida de jovens que estão ao meu redor. Alguns são um pouco mais novos, outros um pouco mais velhos; alguns solteiros, outros noivos ou ainda os recém casados. O que mais os atrai: a tolice, a inteligência ou a sabedoria?

Em alguns percebo uma inclinação natural para o que é tolo. Estes são aqueles que se entregam avidamente aos seus desejos e paixões sem se quer raciocinar sobre os possíveis efeitos, bons ou maus, de suas escolhas. Fazem o que é errado, passam de propósito pelo caminho mal, se desfazem do conselho dos mais velhos, e o fazem sem um pingo de arrependimento.

Seus relacionamentos com os outros são tão frágeis e fúteis que deixam um pequeno cisco destruir um vínculo precioso. Amigos somente enquanto eles concordarem com o que faço ou sou, e olhe lá.

Estes não raciocinam, ou pelo menos não fazem esforço para tanto.  O conhecimento para eles é algo muito elevado; preferem a tolice para não ter com que se preocupar. Qual será o fim destes?

“O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para aquela que o deu à luz.”
Provérbios 17.25

Outros buscam a supremacia da inteligência. O conhecimento e o entendimento são o seu foco e nunca se cansam de conhecer mais e mais. As letras nunca são suficientes para satisfazer sua sede, nem se quer todos os livros do mundo seriam suficientes para suprir a sua necessidade.

Será que estes saberão lidar com as adversidades da vida? Será que saberão discernir o tempo certo ou errado? Saberão a diferença entre o bem e o mal?

Nem todos os livros ensinam a diferença entre o certo e o errado. O conhecimento não necessariamente definirá que algúem sabe decidir ou escolher. A informação, quando muito abundante, tem uma grande capacidade de nos deixar perdidos.

Mas, enfim encontro um outro tipo de jovem. Aqueles que inclinam seus ouvidos à sabedoria. Um conhecimento atemporal, mais precioso do que todo o ouro. Nem sempre estes são os mais inteligentes, nem sempre são os que mais detém conhecimento, mas estes são aqueles que em meio à tantas ofertas deste mundo se deleitam no caminho bom; na justiça e na prudência fundamentam os seus passos. O discernimento é o seu ganho, e o bem o seu sustento.

Não precisam de palavras bonitas, ou de um vasto vocabulário; não necessitam de prêmios nem reconhecimento e não necessariamente estão nas academias.

Ainda não são sábios, pois a sabedoria é irmã da experiência, mas são aqueles que amam a sabedoria e a sua simplicidade.

São poucos estes jovens, não?

Salomão escreve no livro de Próverbios sobre o amor à sabedoria. Ele não fala da inteligência, nem do muito conhecer. Seu foco é a sabedoria. Os nove primeiros capítulos deste livro são um clamor à sabedoria, um chamado à todos que querem o seu fruto.

Qual destes jovens eu sou? Qual destes tu és? O que realmente arde em teu coração: a tolice, a inteligência ou a sabedoria? Uma coisa é certa: cada um destes a seu tempo colherão seus frutos; sejam estes bons, sejam estes maus.

“Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos: guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;”
Provérbios 3.21

“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;”
Provérbios 5.1

“Provérbios de Salomão: O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.”
Provérbios 10.1

“Filho meu, ouvindo a instrução, cessa de te desviares das palavras do conhecimento.”
Provérbios  19.27

“Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á o meu coração, sim, o meu próprio.”
Provérbios 23.15

“Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração.”
Provérbios 23.19

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Quem eu sou?

agosto 31, 2008 at 4:06 pm (Pensamentos)

Bom, eu sou Anderson Dias, tenho atualmente 22 anos, sigo a Jesus há mais de cinco anos e hoje vivo por Ele e para Ele, estou concluindo o curso de desenvolvimento de software no CEFET-RN e já estou trabalhando nesta área há aproximadamente 2 anos e meio.

Gosto de muito música. Estilos musicais que gosto? Muitos, mas principalmente rock. Na verdade, o que gosto é de música de boa qualidade.  Que possua uma boa mistura de ritmo, harmonia, letra e criatividade.

Coisas que gosto de fazer? Conversar, estudar, trabalhar, me aventurar nas coisas mais loucas que existem…

Mas acho que nada disso me define completamente como realmente sou. Na verdade, nem eu sei me definir.

Nos últimos 5 anos tudo mudou. Principios, amizades, caráter, personalidade, gostos, desejos, medos. Fazem cinco anos que estou em constante transformação, mas de dois anos para cá eu penso que me perdi em uma multidão de eu mesmo.

Hã?! Como assim uma multidão de eu mesmo? Explico.

Hoje vejo que me comporto de diversas formas, depende de quem está comigo, depende do ambiente, depende da semana que passei, das coisas que gastei tempo vendo, ouvindo, lendo. Talvez isto seja bem normal para todos, mas o que me une em todos esses momentos é o que diz quem eu realmente sou. Um conjunto de características que sempre tenho comigo não importa aonde ou com quem esteja, isto me define. Será que eu tenho uma definição?

As vezes percebo que almejo ter as características de outros. Ter as definições de outros. Mas aonde está a minha própria?!

Me lembro muito bem que quando mais novo gostava muito de andar de skate, e até hoje é o meu esporte predileto (apesar de não praticá-lo), e quando olhava para meus amigos que também andavam de skate eu queria ser como eles, me vestir como eles, agir como eles. Só existia um pequeno problema, eu não parecia um skatista! Como falam meus amigos: “Anderson você é todo desajeitado!”. Nunca tive aptidão para qualquer esporte. E além disso, meu jeito de ser era totalmente diferente do padrão dos que andam de skate. Confesso que já andei com calças lá em baixo, bermudões rasgados, mas ao invés de parecer um skatista eu parecia mais alguém totalmente perdido.

Outro momento bem marcante que andou muito próximo deste foi o momento que o meu maior desejo era ser guitarrista de bandas de Rock. Pasmem, mas o estilo que eu gostava era bem fora dos padrões, mesmo para os rockeiros. Ao lado está a imagem do guitarrista que eu mais adimirei, Hide. Ele tocava em uma banda de rock japonês e como todo bom japonês rockeiro o cara tinha um estilo pra lá de estranho. Cabelos super coloridos, roupas loucas, trejeitos meio inconvinientes. Espero que vocês que me conhecem não comecem a me olhar de lado. Calma, isto aconteceu quando eu era mais jovem, e bem mais louco. Mas existia outro pequenho problema: eu não parecia um rockeiro!

Foram muitas épocas diferentes, turbilhões e mais turbilhões de desejos que se foram com o passar dos anos. Certezas que se desfizeram.

Hoje quando olho para mim mesmo ainda tenho dificuldade de descobrir quem eu realmente sou. As vezes sou alguém que quer ser o durão, quero ser o que todos confiam, o que todos podem contar, o super-utilitário, o próprio Bombril (com 1001 utilidades), o que entende todos, o que tem a melhor palavra para falar, o que sabe de muita coisa. Mas sei que nada disso sou, pelo menos completamente.

Tenho inveja ( e não me orgulho disto nenhum pouco ) daqueles que são mais queridos que eu, daqueles que mesmo sem se esforçar, sem buscar, são os mais procurados e confiáveis (sei que se você ler este texto saberá que estou falando de você). E, o pior de tudo, quando olho para estes penso, na minha tolice, que sendo exatamente como eles são terei aquilo que eles têm. Que tolo! Mesmo depois de tanto tempo batendo na mesma tecla vejo que ainda não aprendi! Ainda sou como o cara que desejava ser o skatista mas que parecia alguém perdido, o jovem que queria ser rockeiro mas estava totalmente perdido! Ahhhh!

Na minha ida a Recife escutei algo que mexeu comigo, mas eu mesmo criei uma barreira para que aquilo que ouvi não entrasse em meu coração por puro medo: “PRECISAMOS SER AUTENTICOS DIANTE DE DEUS“. Ops, como assim? Autênticos? Diferentes? Mas e quanto ao ser mais querido, ao ser mais legal e mais confiável? Essas coisas não são conquistadas seguindo um padrão não? Ai, essa doeu em mim. Mas como tolo que sou, fechei meus ouvidos para o que escutei e temi ser como Davi, que mesmo sendo rei de Israel ainda continuava sendo aquele pastor de ovelhas que era quando mais jovem.

E hoje me lembro do que ouvi e vejo que minhas máscaras estão caindo. Não tenho mais defesas, ou forças, para resistir a esta verdade. Como falou um amigo meu: “Anderson, não tenha medo de ser simplesmente quem você é. Não deixarão de gostar de você por causa disto”.

Nestes últimos dois anos, só me lembro de três pessoas com quem fui totalmente aberto com relação a quem eu sou, com uma delas (você) é impossível não ser eu mesmo por que estamos muito próximos,  e das outras duas não consigo me esconder atrás da minha carcaça dura, por que elas olham muito mais do que aquele quem quero ser e conseguem enxergar a minha fragilidade (boa conversa na rede em Bonfim eim?).

Hoje, graças a Deus e ao seu infinito amor, conheci à Jesus. Alguém que não virou mais uma moda na minha vida, mas que a 5 anos tem feito parte de tudo o que sou. Alguém que vive em mim tão certo quanto o ar que eu respiro, que se move em mim de uma forma que não consigo me encontrar neste ser que sou e muitas vezes ainda me admiro de tudo que Ele é em mim. Porque? Por que foi inesperado, estranho, constrangedor viver para mim mesmo 16 anos e o encontrar numa tarde depois das aulas sem ter marcado o encontro com Ele, sem saber quem Ele realmente era, mesmo sempre tendo ouvido falar dEle. Só sabia que a partir daquele momento queria o conhecer mais e mais e mais. Louco não? Pelo menos pra mim é.

E talvez a única coisa que sei que em mim não vai mudar será este desejo que tenho de agradar-Te. Não sei como serei daqui a alguns anos. Não sei se terei me descoberto, mas de uma coisa eu sei, que desejarei Te buscar. Livra-me Tu, de cair e me desviar de Ti até o último dia da minha vida.

Bom, acho que escrevi tudo isto porque precisava desabafar. Se vocês me virem mais calados ultimamente, não pensem que estou mal, mas simplesmente estou tentando descobrir quem eu sou. Como diria Carol: “Qual fruta eu sou?”

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