A sabedoria e o jovem
Últimamente tenho parado para observar os jovens ao meu redor. Pareço muitas vezes até um velho observando os mais novos, e as vezes até penso que o sou.
Me pego muitas vezes observando algo na vida de jovens que estão ao meu redor. Alguns são um pouco mais novos, outros um pouco mais velhos; alguns solteiros, outros noivos ou ainda os recém casados. O que mais os atrai: a tolice, a inteligência ou a sabedoria?
Em alguns percebo uma inclinação natural para o que é tolo. Estes são aqueles que se entregam avidamente aos seus desejos e paixões sem se quer raciocinar sobre os possíveis efeitos, bons ou maus, de suas escolhas. Fazem o que é errado, passam de propósito pelo caminho mal, se desfazem do conselho dos mais velhos, e o fazem sem um pingo de arrependimento.
Seus relacionamentos com os outros são tão frágeis e fúteis que deixam um pequeno cisco destruir um vínculo precioso. Amigos somente enquanto eles concordarem com o que faço ou sou, e olhe lá.
Estes não raciocinam, ou pelo menos não fazem esforço para tanto. O conhecimento para eles é algo muito elevado; preferem a tolice para não ter com que se preocupar. Qual será o fim destes?
“O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para aquela que o deu à luz.”
Provérbios 17.25
Outros buscam a supremacia da inteligência. O conhecimento e o entendimento são o seu foco e nunca se cansam de conhecer mais e mais. As letras nunca são suficientes para satisfazer sua sede, nem se quer todos os livros do mundo seriam suficientes para suprir a sua necessidade.
Será que estes saberão lidar com as adversidades da vida? Será que saberão discernir o tempo certo ou errado? Saberão a diferença entre o bem e o mal?
Nem todos os livros ensinam a diferença entre o certo e o errado. O conhecimento não necessariamente definirá que algúem sabe decidir ou escolher. A informação, quando muito abundante, tem uma grande capacidade de nos deixar perdidos.
Mas, enfim encontro um outro tipo de jovem. Aqueles que inclinam seus ouvidos à sabedoria. Um conhecimento atemporal, mais precioso do que todo o ouro. Nem sempre estes são os mais inteligentes, nem sempre são os que mais detém conhecimento, mas estes são aqueles que em meio à tantas ofertas deste mundo se deleitam no caminho bom; na justiça e na prudência fundamentam os seus passos. O discernimento é o seu ganho, e o bem o seu sustento.
Não precisam de palavras bonitas, ou de um vasto vocabulário; não necessitam de prêmios nem reconhecimento e não necessariamente estão nas academias.
Ainda não são sábios, pois a sabedoria é irmã da experiência, mas são aqueles que amam a sabedoria e a sua simplicidade.
São poucos estes jovens, não?
Salomão escreve no livro de Próverbios sobre o amor à sabedoria. Ele não fala da inteligência, nem do muito conhecer. Seu foco é a sabedoria. Os nove primeiros capítulos deste livro são um clamor à sabedoria, um chamado à todos que querem o seu fruto.
Qual destes jovens eu sou? Qual destes tu és? O que realmente arde em teu coração: a tolice, a inteligência ou a sabedoria? Uma coisa é certa: cada um destes a seu tempo colherão seus frutos; sejam estes bons, sejam estes maus.
“Filho meu, não se apartem estas coisas dos teus olhos: guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso;”
Provérbios 3.21“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;”
Provérbios 5.1“Provérbios de Salomão: O filho sábio alegra a seu pai, mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.”
Provérbios 10.1“Filho meu, ouvindo a instrução, cessa de te desviares das palavras do conhecimento.”
Provérbios 19.27“Filho meu, se o teu coração for sábio, alegrar-se-á o meu coração, sim, o meu próprio.”
Provérbios 23.15“Ouve tu, filho meu, e sê sábio, e dirige no caminho o teu coração.”
Provérbios 23.19